Qual a diferença entre Transtorno e dificuldade de Aprendizagem?


Muitos pais e educadores ainda confundem essas duas nomenclaturas e não consegue diferenciar o que de fato está acontecendo. E nem deveriam, pois isso é um trabalho para um especialista, como um psicopedagogo, um psicólogo ou um neuropsicólogo, por exemplo.

O profissional que recebe uma criança com alguma dificuldade, geralmente irá escutar falas do tipo:

- Ele não consegue fazer a lição sozinho,

- O material e seu quarto são uma bagunça.

- Ela nunca acompanhou a classe. Deve ter algum problema.

- Sempre explico, mas ele não entende!

Como Psicóloga e Psicopedagoga, ouvi muito isso, tanto nas escolas que trabalhei, como dos pais que recebia em consultório. É sempre uma preocupação muito grande e pode ser muito traumatizante tanto para família como para a criança. A sensação de incapacidade vivida peloss pais e a pressão interna e externa, pode causar outros problemas emocionais que pioram o caso.

Os TRANSTORNOS são dificuldades que a criança apresenta em uma ou mais áreas cognitivas e sempre são congênitos, ou seja, nasce com elas. É um problema que ela terá para a vida inteira, como por exemplo: TDAH( Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), Dislexia(é um transtorno caracterizado por problemas no reconhecimento preciso ou fluente de palavras, problemas de decodificação e dificuldade de ortografia.), Disgrafia(Dificuldades com a ortografia), Discalculia (a dificuldade está no reconhecimento do número e do raciocínio matemático) e o déficit cognitivo( quando o indivíduo está cognitivamente muito abaixo do esperado para sua idade).

Quanto as DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM, alguns sintomas podem ser confundidos com o transtorno de aprendizagem, porém a diferença está no tempo de duração e na evolução da aprendizagem da criança quando submetida ao tratamento com um profissional.

As dificuldades de aprendizagem podem estar relacionadas à fatos frustrantes ou passageiros na vida da criança, como: mudança de escola, estilo de aprendizagem, troca de professora, separação dos pais, Bullying, entre outros.

A dificuldade de aprendizagem, geralmente está mais relacionado às questões sociais, educacionais e emocionais. Já o transtorno de aprendizagem, geralmente está mais ligado as questões cognitivas e congênitas.

É importante salientar que NEM SEMPRE uma dificuldade de aprendizagem vem acompanhada de um transtorno de aprendizagem, mas um transtorno SEMPRE virá acompanhado de uma dificuldade de aprendizagem.

Qual profissional procurar?

Depende do caso. A principio eu indicaria procurar um psicopedagogo, pois esse é o profissional que estudou como se dá e como é o processo de construção da aprendizagem. O psicopedagogo está preparado para fazer as avaliações e encaminhar, se necessário, para outros profissionais. O psicopedagogo consegue diferenciar se os sintomas que a criança apresenta, é somente uma dificuldade ou um transtorno. Se ele perceber que essas dificuldades têm um fundo somente emocional, encaminhará para um psicólogo. Caso ele necessite de uma avaliação mais detalhada para um diagnóstico de transtorno de aprendizagem, ele poderá contar com o apoio de um neuropsicólogo ou de um neuropediatra.

DANOS EMOCIONAIS DO TRANSTORNO E DA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM

Os fatores emocionais que envolvem essas duas situações são muitos. Em geral não sofre somente a criança ou o adolescente, sofre também a família e a escola.

Normalmente, quem percebe o problema ou a dificuldade da criança é a escola. Nos primeiros anos de alfabetização a escola já percebe que aquela criança não está acompanhando o restante da classe ou que ela está abaixo do conhecimento esperado para a sua idade. E ai começa a maratona!!

A ESCOLA:

Em um primeiro momento, se essa criança der sorte, a própria professora já terá feito intervenções diferentes para que essa criança possa avançar, pois existem diferentes estilos de aprendizagem e cada criança é um universo em particular. Repare que disse acima que a criança precisa ”ter sorte”, pois infelizmente a educação no nosso país anda de mal a pior e é um assunto muito complexo que merece um outro texto para conversarmos sobre isso. Mas você que tem um filho matriculado em uma escola sabe do que estou falando!

Quando tudo der certo, essa criança se sente acolhida pela professora e pela escola, bem como essa família, que sentirá naquele lugar uma segurança e perceberá que ali poderá fazer uma parceria em prol daquela criança. Mas quando tudo sai errado, a professora se vê perdida e, se suas tentativas não derem resultados, a culpa daquele problema recai sobre a criança ou sobre a família. Dessa forma, a escola se exime da responsabilidade e os pais devem fazer algo para corrigir o “defeito” do seu filho. Com isso, a criança se vê sozinha na situação e em algumas vezes, excluída do circulo dos amigos, pois ele não acompanha o ritmo da classe. Sem falar no Bullying que os próprios professores fazem, que dirá os colegas.

A FAMÍLIA:

Em primeiro lugar, a família tem uma resistência enorme em aceitar que seu filho tem algum problema ou está passando por alguma dificuldade, pois ninguém quer ter um filho “fora dos padrões”. Os pais tentam ajudar da maneira que podem, mas esses não são especialistas para ajudarem de fato a criança. Quando o problema é emocional, um pouco de atenção ou dedicação ao filho até surtem algum efeito, mas nem sempre a coisa é tão simples assim.

A medida que os pais percebem que a escola não está conseguindo ajudar e que eles também não sabem o que fazer, se veem perdidos.

Quando têm condições, correm atrás de especialistas para entenderem o que está acontecendo, mas nem sempre o resultado é rápido. Uma queixa muito frequente dos pais é que eles demoram muito para achar o profissional certo, que consiga de fato fechar um diagnóstico e fazer uma intervenção que dê resultados.

E enquanto isso não acontece, a criança sofre, a família fica perdida, angustiada, sofrendo ao ver seu filho naquela situação. A pressão interna traz a culpa e a pressão da sociedade traz a vergonha e o medo.

Acontece também de a família não ter condições, informações ou ainda não aceitar aquele fato e a criança fica entregue a própria sorte. É O CAOS!!

A CRIANÇA:

O sentimento de incapacidade, vergonha, frustração e a press

ão psicológica que essa criança sofre é muito grande, pois estamos numa sociedade separatista, onde a pessoa que sai um pouco do esperado ou do padrão, automaticamente é excluída. E como já disse, além da pressão interna que essa criança sofre, existe também uma pressão da família e da escola em cima dessa criança.

Por algum tempo a criança até tenta se virar sozinha e se esforça para sair daquela situação, o que é um paradoxo, porque ela não escolheu estar ali e ela, mais do que ninguém, quer mudar aquela condição. E tem gente que fala que ela não aprende porque não quer, porque é preguiçosa, porque quer chamar atenção. Em alguns casos, a criança até está chamando a atenção, mas na maioria das vezes a criança está cansada de lutar, perdida, angustiada e o que ela faz? Desiste ou se esconde.

Todas as crianças que eu atendia chegavam com sua autoestima muito abalada por tudo o que já tinha ouvido e passado. A criança já tem uma tendência normalmente a se culpar por algo que acontece a sua volta e nesses casos, a pressão só faz piorar a situação.

A criança que escolhe se esconder é aquela que finge que está fazendo, copiando e faz um esforço enorme emocionalmente para fingir para ela e para o resto das pessoas que não tem nada acontecendo. Ela nega a situação!

A criança que desiste, está no fundo do poço, pois ela se entrega e tirá-la de lá é muito difícil, pois é a criança que já tentou muitas coisas e não viu resultado.

Consegue se colocar no lugar dessa criança agora?

Talvez você já tenha passado por isso na sua infância ou está passando por isso agora com seu filho. E aí você me pergunta, o que fazer então?

Em primeiro lugar, seja empático e se coloque no lugar da criança. Dessa maneira você poderá ter uma clareza maior do que dizer e como agir frente aquela criança. Fazer pressão, achar culpados não resolvem o problema!

Em segundo lugar, procure ajuda. Procure profissionais que você tenha alguma referência. O Psicopedagogo, na minha opinião, é o primeiro profissional e o mais adequado para iniciar o diagnóstico.

Em terceiro lugar, Informação. Busque ler, ver vídeos, conversar com grupos e outras famílias que estão passando pelo mesmo problema, pois eles já trilharam um caminho e poderão te dar dicas valiosas. Mas lembre-se, que cada criança é uma e o que funciona para uma pode não ser o mesmo resultado para outra. O fato de saber que existem muitas outras famílias passando pelo mesmo problema nos conforta e nos faz ficar mais fortes também.

Por fim, acolha o seu filho e tenha paciência! Nenhum problema deve fazê-lo o amar menos!

Os resultados às vezes demoram, mas juntos vocês poderão enfrentar o problema e ganharão muita CONEXÃO nessa história.

Estou à disposição para esclarecer dúvidas ou ouvir a sua história.

Abraços calorosos

Deborah Garcia – Psicóloga, Psicopedagoga e Arteterapeuta

CRP: 62436

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