Por que os professores não ajudam de fato os alunos com dificuldades de aprendizagem?


Sei que esse é um assunto controverso, pois a gente vai cair numa discussão de quem nasceu primeiro, ”o ovo ou a galinha”?

No texto da semana passada, comentei os fatores psicológicos da dificuldade de aprendizagem que interferem e causam danos para a criança e para a família.

Hoje quero falar dessa relação ensino-aprendizagem entre professor e aluno.

Durante a minha trajetória profissional, ouvi inúmeras vezes o professor discorrendo sobre os seus alunos e suas dificuldades. O que mais me chamava a atenção era que já no primeiro dia de aula ela já tinha mapeado na sua cabeça quem eram os alunos que tinham dificuldades e quais eram os que não tinham. Claro, que conta muito a experiência do professor, pois muitos realmente tinham um olhar apurado e de fato aqueles que ele havia dito que teriam dificuldades, de fato, tinham.

Antes de entrarmos nessa discussão precisamos lembrar do panorama da educação: a nossa educação está sucateada, cada vez mais desvalorizada, sem recursos, sem investimentos e principalmente com uma inversão de valores (onde o aluno manda e o professor obedece). Hoje quem estuda é tido como bobo, pois fica perdendo tempo enquanto poderia estar lucrando mais fazendo algo que desse dinheiro mais rápido. Os professores passaram de um patamar onde antigamente eles eram mestres para simples cumpridores de tarefas. Ouvi muitos dizerem que ser professor foi o que deu. E outros dizerem que era um sonho e que queriam ajudar. O problema é que as posturas nesses dois contextos estão equivocadas. Se você trabalha por amor ou por que não teve escolha, como pode ajudar alguém de fato?

Tem que ter muito amor, mas tem que se ter muita atitude! Ou o seu aluno com dificuldade de aprendizagem irá melhorar só porque você o ama?

Sabemos que muitos professores estão cansados e esgotados, mas a grande maioria está confusa e não consegue ao menos se ajudar, quanto mais ajudar alguém.

Como disse antes a nossa educação básica já deixa a desejar, quem dirá o nível superior.

Muitas faculdades, na ânsia de se ter alunos, montam cursos cada vez mais baratos e com professores desqualificados. Sem dizer na quantidade de cursos online, sem critérios e muitos nem mesmo reconhecidos.

Muita gente se agarra a essa oportunidade, faz mil prestações e consegue se formar. Que formação é essa?

A pessoa já vem com dificuldades e com uma formação falha desde do ensino básico, a duras penas consegue entrar numa faculdade, muitas vezes essa faculdade também oferece um curso falho e não forma direito esse profissional que também não tem condições de estudar e se aprimorar além da faculdade porque trabalha e estuda e não tem tempo e nem dinheiro para isso. Aí ele se forma e consegue um emprego, mas como ele não está tão qualificado assim dá aula na escola pública ou em alguma escola não muito qualificada e o ciclo vicioso está formado. Ganha pouco, não se atualiza, se acomoda, continua a formar pessoas de uma maneira simplista ou falha e por aí vai.

Aí vocês vão dizer: - mas quem quer vai atrás e tem mil outros jeitos de se fazer um ótimo profissional, mesmo com pouco recurso e numa educação falha como a nossa!

Concordo plenamente e é aí que entra a postura de cada um: - O que faz você um grande profissional é a sua atitude perante o mundo. É como você lida com as adversidades e o que você faz com elas na sua vida.

Essa é a diferença do professor que se importa com o aluno e o ajuda de fato ou aquele que está sempre procurando culpados para as dificuldades dele e de seus alunos. Há os que mapeiam os seus alunos para buscar estratégias e os que mapeiam para dizer para todo mundo que ele não consegue trabalhar porque ele teve a má sorte de ficar com os piores alunos da escola.

Deborah Garcia

Psicóloga, Psicopedagoga e Arteterapeuta

CRP: 62436

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