A ordem do nascimento dos filhos pode determinar alguns comportamentos?


No livro Disciplina Positiva :O guia clássico para pais e professores que desejam ajudar as crianças a desenvolver autodisciplina, responsabilidade, cooperação para resolver problemas, da Dra Jane Nelsen, ela afirma que não é determinante, mas que é possível algumas características serem percebidas dependendo da ordem do nascimento.

Aqui no #ConexõesPaiseFilhos, a cada semana trarei um texto sobre o assunto para refletirmos. Iniciaremos a nossa série, falando dos “queridinhos”.

O FILHO CAÇULA

Quando pensamos em filhos caçulas, logo pensamos: - Uau! são chatos, mimados, dependentes, não aceitam regras, são difíceis de assumir responsabilidade, se vitimizam, mas também são criativos, espertos e sempre dão um jeito de conseguirem o que querem.

Mas por que a maioria dos caçulas têm características semelhantes, mesmo sendo criados em famílias diferentes?

Quando os pais esperam um filho, eles se enchem de expectativas e sonhos para aquela criança. E se você tem filhos, sabe que nosso maior desejo é realizar todos os desejos dos nossos filhos, é querer dar o melhor e recompensá-los com tudo aquilo que não tivemos na infância, independente da ordem do seu nascimento.

Muitos fatores podem influenciar nessas características do Filho caçula, mas é importante destacar três fatores importantes:

  1. - O que os pais esperam desse filho e como eles educaram esse filho

  2. – O momento que o filho nasce e o contexto dessa família

  3. – E por último, é o que o filho interpreta daquela situação e como ele estabelece as suas crenças sobre a educação que lhe é dada.

Se estamos falando de filho caçula, presume-se que esses pais já tiveram pelo menos um filho antes. Então, o que muda tanto para que esse filho possa ter características diferentes dos demais?

Uma das maiores características da maioria dos filhos caçulas é ser mimado.

O fato é que quando se sabe que aquele filho será o último, muitos pais sentem (inconscientemente) que é a sua última chance de se fazer necessário na vida do filho, pois depois que esse filho crescer não tem mais de quem cuidar, não tem mais ninguém dependente e precisando deles.

Aí você deve estar pensando: - Ué, mas eles não terão os filhos com eles? Não serão pais desses filhos para sempre? Como assim, a ultima chance de se sentir necessário?

Há um fator psicológico de que quando nos tornamos pais, pincipalmente mãe, passamos a nos sentir responsáveis por aquele ser, nossa rotina muda, muitos detalhes e responsabilidades da vida do filho, fica em função dos pais. Quando esses filhos vão crescendo e se tornando cada vez mais independente, esses pais vão sentindo o vazio psicológico e até mesmo de tempo, pois a rotina já não se exige tantos cuidados e nem tantas decisões. Quando se tem mais de um filho, a sensação logo já é preenchida pelo outro filho que ocupa esse espaço. É exigido dos pais de novo que ocupe o seu tempo com aqueles detalhes de se ter um filho pequeno que necessita de cuidados.

Por isso, muitos pais inconscientemente, quando percebem ou decidem que aquele será o seu último filho, mimam e prolongam o seu crescimento e a sua independência, pois a sensação de ter alguém dependendo e se sentir necessário na vida do filho, lhe conforta.

Quem nunca viu uma mãe dizer ou falar do seu filho caçula como se ele tivesse 4 anos e quando se conhece o filho, já é um adolescente ou um homem?

Outro motivo dos pais mimarem é porque é o caminho mais fácil na árdua tarefa de educar.

Entrar em embate com a criança, em num acordo com o parceiro sobre quais valores e como educar, dispende de tempo para treinar a criança nas suas habilidades e ainda ajudá-la no seu desenvolvimento. Exige muita paciência, tempo e persistência. E muitos pais escolhem o caminho mais fácil.

Outros pais ainda foram criados sem muitos limites e como já tem referência de uma educação mais frouxa, acreditam que esse é o caminho.

A outra interferência na vida do filho caçula ou mimado, é o contexto familiar em que a criança nasce. Em alguns casos, aquele filho não foi planejado, ou a família não estava preparada financeiramente para aquele momento, a relação do casal pode estar estremecida ou ainda ter uma distância de idades grande entre os irmãos e o caçula. Fato, que colabora no mimo deste que é o menor.

Já para a criança, ter uma família superprotetora, pode trazer muitos prejuízos, pois a criança cresce acreditando que é indefesa, incapaz, se sentindo desprotegida. Ela passa aceitar que se todo mundo faz as coisas para ela, se ela precisa ser monitorada o tempo todo é porque ela necessita de condições especiais.

O que é muito perigoso, pois a criança está construindo o seu sistema de crenças e crescer acreditando que é uma pessoa especial ou que não tem habilidades para vida, é algo que determinará a sua atitude frente a vida futura.

Vale lembrar que os prejuízos são muitos ao escolher o caminho da superproteção.

O inverso também não é indicado. É mais difícil, mas acontece de alguns pais ficarem com medo de mimar a criança e vão para o outro extremo, que é cobrar muita responsabilidade e exigem uma postura adulta demais para a idade do filho.

O ideal sempre é acompanhar a idade e o desenvolvimento da criança, observando os seus avanças, lançando desafios e treinando habilidades para a vida. Cada criança tem um ritmo e é preciso respeitá-lo.

Cabe aos pais também refletirem sobre suas inseguranças e não depositar sobre a criança a expectativa de acalmá-las.

Sabe a frase que diz; - “Criamos filhos para a vida!”, pois é precisamos muito refletir sobre isso. É preciso suprir as nossas carências e inseguranças com coisas que preencham esse vazio de maneira saudável e não prejudicando a vida de uma pessoa, não permitindo que ela cresça evolua.

Achou interessante? Deixe a sua opinião nos comentários.

Um grande beijo e até a próxima!

Deborah Garcia – Psicóloga

CRP: 06/62436

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