O tão esperado irmão

 

 

 

É muito comum falarmos do ciúmes que muitas crianças sentem quando ganham um irmão, mas o que ninguém fala é  que o comportamento está mudando. E muitas crianças têm sentido é ansiedade, esperando o tão sonhado irmão.

 

Já ouviu falar dessa ansiedade?

 

Até um tempo atrás, quase não ouvíamos crianças dizendo que estavam ansiosos pela chegado de um irmão. O mais comum eram os pais sofrem com o ciúmes que o primogênito tinha, devido a sensação de perder o seu lugar de preferido na família.

 

Isso ainda acontece, mas um outro comportamento tem sido muito relatado pelos pais. Ultimamente, temos nos deparado com crianças que imploram para ter irmãos e ficam numa ansiedade enorme durante a gravidez.

 

O que será que está acontecendo?

 

Na minha opinião, alguns fatores têm mudado o nosso padrão de vida e o nosso comportamento frente a educação dos nossos filhos. Não é novidade para ninguém que estamos trabalhando cada vez mais, passamos muito tempo longe de casa, terceirizamos a educação dos filhos e temos cada vez menos tempo para estar perto deles e ter uma relação intima e próxima como antes. As crianças recebiam mais atenção e em geral eram os reizinhos daquela família. Daí o ciúmes e medo de perder o seu reinado.

 

Hoje as crianças reclamam de ficarem muito tempo sozinhos, de não terem atenção. Muitas vezes, algumas crianças ficam pouquíssimo tempo na companhia dos pais e recebem menos atenção do que é necessário.

 

Algumas crianças, quando tem os pais mais frequentemente em casa, mesmo assim não são mais o foco de atenção dos pais, pois esses quando estão em casa, estão dedicados as suas tarefas ou de outros afazeres, Dessa maneira, a criança continua se sentindo sozinha.

É nesse momento que ela se compara com outras crianças que tem irmãos ou mesmo imagina como seria legal, se ela também tivesse um companheiro para brincar e passar o seu dia.

 

Algumas crianças pedem com tanto emprenho que os pais, se sentem culpados e se veem obrigados a dar um irmão para o filho. E aí começa a ansiedade!

 

 A criança vê aquela possibilidade como sendo a única na sua vida. Aquela é a possibilidade de ser feliz, de ter uma vida “mais colorida”.

 

Em alguns casos, ela faz uma pressão sobre os pais e se esses não estiverem firmes em relação ao seu desejo e ao seu equilíbrio enquanto pais e genitores, essa pressão pode gerar culpa, ansiedade e uma inversão de papéis na família.

 

Para algumas crianças, a gravidez da mãe e a espera do tão sonhado irmão ou irmã, pode ser sentida assim como a ansiedade da mãe enquanto grávida. O que a criança não conta é  que nem sempre o que ela deseja, pode ser realidade da maneira com que ela desejou.

 

Muitas crianças sofrem a sua primeira decepção quando o sexo do bebê é sabido e não é o esperado pela criança. Então ela está esperando um companheiro do mesmo sexo que o dela e de repente, vem um do sexo oposto. Quando isso ao longo do caminho é superado, pode se enfrentar uma outra decepção quando o bebê nasce, pois na cabeça da criança aquele irmão irá chegar e eles vão sair brincando juntos. Aí ela descobre que nem tudo é divertido. O bebê exige uma série de cuidados e é tão dependente, que está longe de ser aquele companheiro de brincadeiras.

 

Um outro alerta que faço, é quando esse primogênito tem uma idade de mais de 4 anos de diferença do bebê, pode haver uma confusão ou uma inversão de papéis nessa relação. É comum ver os pais quererem que os filhos tenham uma relação de amizade desde o início e que não aja nenhum conflito, então a grande estimulação para os cuidados e convivência com o bebê, podem ser exagerados e o mais velho acaba assumindo o papel de cuidador desse  bebê. Não estou dizendo que não devemos aproximar a criança do bebê, mas cuidado com o exagero e com a ansiedade que a criança irá gerar em função do lugar que esse bebê poderá ocupar na vida dela. O que estou querendo dizer é que muitas crianças assumem o lugar de pai ou mãe dessa criança e assumem para ela uma responsabilidade que não faz parte do seu desenvolvimento.

 

 O fato é que a criança quando entra nesse estado de ansiedade e acredita que toda a sua carência de atenção será suprida pelo fato de ter um irmão, é aí que mora o perigo. Devemos enquanto pais, entender o que tem por detrás desse pedido, o que de fato a criança está querendo comunicar, porque ter um irmão irá mudar a vida dela?

 

O quanto ela está se sentindo sozinha? Qual a forma de atenção que essa criança está tendo?

 

Ter um irmão sem dúvida é uma alegria para qualquer criança, mas não pode ser a salvação da sua vida!

 

Deborah Garcia - Psicóloga, Psicopedagoga e Arteterapeuta

CRP: 06/62436

 

 

 

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