AMÃE IDEAL X A MÃE REAL


Já reparou que tem uma ideia cultural que sempre paira sobre as cabeças dos pais, principalmente os recém – pais.

“Há uma ideia de que a mãe tem que saber de tudo e o pai não sabe de nada.”

Antigamente muito mais enraizado essas ideias dentro de cada um de nós, hoje as coisas estão mudando e a mulher já se permite pedir ajuda e relevar o julgamento de que ela tem que saber de tudo. O pai já se permite envolver-se nos cuidados do bebê e palpitar desde o seu nascimento. Mas, como tudo isso ainda é muito recente e embrionário em algumas famílias, ainda sofremos muito com essas ideologias.

Como mãe, sofri muito quando tive meu primeiro filho e por desconhecimento da prática do desenvolvimento de um bebê, também fiz muitas coisas erradas. E o pior sofri calada, pois havia uma ideia implícita, que quando se vira mãe, se sabe de tudo.

Virar mãe é uma alegria imensa, mas ao mesmo tempo te dá um medo tão grande quanto a alegria de ver seu filho na sua frente.

Até hoje é motivo de risada entre eu e meu marido, quando lembramos a sensação que nos deu quando a enfermeira nos disse que estávamos de alta e que podíamos ir embora com o nosso filho recém-nascido.

Naquele momento a gente pensou: _ como assim? Ir embora? Não vou saber cuidar? O que tem que fazer daqui para frente? Que horas troca fralda? Como dá de mamar? Vocês são loucos de deixar a gente ir embora com esse bebê?

Me lembro que o meu sentimento dentro do hospital era de ir embora a cada minuto, queria minha casa, minhas coisas, minha vida de volta, mas no momento que recebi alta, o desespero bateu forte e a minha sensação era de incompetência, de medo, de completa desconhecimento do que se tinha que fazer ali.

O fato é que enquanto se está grávida, você escuta muitos palpites, muitos conselhos e muitas histórias do que deu e não deu certo. Você vai para a maternidade com a bagagem cheia e tentando testar todas as ideias que você ouviu durante a gestação.

Só que a única coisa que não nos damos conta, é que ficamos tentando antecipar e nos prevenir do que irá acontecer. Mas como tudo nessa vida, o ideal não é real.

A realidade é bem diferente do que você planejou. Não temos controle sobre o que vai acontecer.

E a grande dificuldade nessa história é que estamos acostumados a querer ter o controle da situação, ficamos mais preocupados com o que vai acontecer, em planejar, em tentar fazer dar certo, DO QUE VIVER e SENTIR AQUELA SITUAÇÃO.

Sabe aquela frase que diz: quando nasce um bebê, nasce também uma mãe! Pois é a mais pura verdade, você não entra em campo, antes de ter o bebê nos seus braços, é a convivência que irá fazer a construção dessa relação. Uma mãe pode ter dez filhos e ter uma experiência e um tipo de vinculo diferente com cada um deles. A relação se dá na convivência, no dia a dia, no meio do caminho.

Então se você está aí se cobrando em ser a mãe ideal, está tentando seguir os conselhos, os palpites e em atender as expectativas das pessoas ou do mundo a sua volta, esqueça. Use o que você escuta dos outros e da teoria para aprender e ter a informação, mas antes de aplica-la na prática, analise, entenda a sua relação com o seu filho, veja se aquilo cabe dentro dos seus valores e do seu jeito de viver.

Vou me abrir aqui mais um pouquinho para você e contar um fato que me arrependo muito até hoje.

Sai da maternidade com todas aquelas sensações que já descrevi a cima e fui achando que o bebê era aquilo que foi na maternidade, chorava só para mamar, trocava fralda duas ou três vezes, dormia a maior parte do tempo e era só colocar no berço que eu iria descansar um pouco. Só que não...

Cheguei em casa, tira um monte de fotos, os avós em casa e eu doida para dormir. Ah sim isso é outra coisa que ninguém te fala. Que na maternidade você não dorme, pois é um entra e sai de gente, que só quem passa sabe.

Enfim, coloquei o bebê no berço, cobri e sai pronta para ir tomar um banho e dormir.

O que aconteceu?

UáááááááááááááááááááUUUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ

A criança começou a chorar e não parou mais. Fiz tudo o que podia, dei o peito mil vezes, troquei fralda, dei banho, cobri, descobri, enfim... Havia chegado em casa meio dia, e isso já era umas 11 horas da noite e o bebê chorando. Nesta hora minha mãe saca um conselho do tipo: ele deve estar com dor, deve ser cólica! Com três dias de vida???

Ok. Já tinha tentado de tudo e nada daquela criança dormir no berço dela, assim como era no hospital. Ué, porque não funcionava na minha casa????

Tá, tudo bem está com dor, dei Três gotas de TILENOL para o bebê (SIM, EU FIZ ISSO) e no cansaço deixei ele dormir aninhado nos meu braço e dormimos juntos na cama, quentinhos e por um bom tempo.

Hoje quando analiso a situação, com base em tudo o que eu li e experienciei depois, sei que aquilo era normal. Meu filho só estava com tanto medo quanto eu, ele só queria se sentir seguro e ainda estava vivendo a crise da separação. Era só deixar ele por perto, que tudo ia passar. Então, hoje digo para todas as mães, o seu melhor conselho e o seu melhor caminho é ouvir você e ouvir o seu coração.

Esqueça a mãe ideal, ela não existe. O que existe é a Mãe real, aquela que está inteira, com suas certezas, seus medos e que vive essa construção errando e acertando no caminho. Essa somos todas nós!

Um grande abraço e até a próxima.

Deborah Garcia - Psicóloga

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